19 de Setembro de 2014

Chatou-Croissy

Tens cigarrilhas perdidas no chão
e um James Dean amortalhado na plataforma.
Tólstoi – quiçá – espreita a medo
através do ar cerrado matinal,
que envolve a sua tímida anca de rapaz.
Deslizante espera
o comboio
nascer,
vindo
do prometido
horizonte.

Fumo escapatório na sua mão,
um pequeno livro na outra.
São dez
da manhã.

18 de Setembro de 2014

Chatôu

A memória do Sena aos nossos pés,
numa virtude tropical meteorológica
que ora morria, ora se acendia,
enquanto caminhávamos sobre carris até à forasteira casa
aguardada.
Dormimos a beijar a trovoada, de braços minguantes
mergulhados em lençóis que já viveram. À espera do dia nascer,
a madeira rangia como que a falar por nós,
vendo o vento fustigar num abismo
de esperança matinal.